30/11/2022

Errata - VALE ESTE: Fórum Brasil África 2022: O esporte é capaz de promover, pacificar e unir diversas regiões

Fórum Brasil África debate com Clarisse Machanguana, Layana de Souza, Alessandro Oliveira e Khalilou Fadiga o papel dos esportes para impulsionar o desenvolvimento sustentável das cidades

O esporte contribui para o aprimoramento físico e intelectual das pessoas. Além disso, é importante para as políticas de inclusão social, a promoção da qualidade de vida e a participação igualitária de todas as idades. O esporte está diretamente ligado à ideia de Cidades Sustentáveis, uma vez que são necessários para promover uma gestão inteligente dos recursos naturais e materiais na condução de eventos esportivos.  

Sendo assim, o Fórum Brasil África, que acontece até esta quarta-feira (30) no WTC Events Sheraton São Paulo, contou com as presenças de Alessandro Oliveira (Presidente do Soccer Grass), Khalilou Fadiga (ex jogador de futebol profissional senegalês), Clarisse Machanguana (Fundação CM e ex-jogadora de basquetebol da WNBA) e Layana de Souza, (Jovem Líder do Comitê Olímpico Internacional) que falaram de como as cidades estão usando cada vez mais os esportes para melhorar estrategicamente as condições sociais, econômicas e ambientais

Com moderação de Will Mbiakop, Presidente Executivo do ASCI, Khalilou Fadiga falou da representatividade feminina no futebol, infelizmente um ambiente ainda muito machista e misógino, mas um esporte que tem grande potencial de mudanças sociais.

"Vivemos muitas coisas irreais no continente africano. Saí de um país - que não vou citar qual - onde era muito complicado, mas acho que o esporte também tem que ser um vetor para levar água, saneamento, infraestrutura, ajudar as meninas a irem a lugares onde as pessoas têm comportamento retrógrado. Tem mulheres que podem jogar muito melhor que os homens, ensinar muito a eles, muitas têm análises mais profundas sobre o futebol, inclusive", avaliou Khalilou.
 
Conforme explica Layana, que nasceu e cresceu na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tal cultura mudou até o rumo de sua carreira no esporte. "Minha mãe, justamente por futebol ser um jogo majoritariamente masculino, disse que eu podia escolher qualquer esporte, menos o futebol. Aí eu escolhi o basquete", relembra.

Porém, quando se trata de impactar crianças e jovens, o esporte vai muito além, tanto entre meninos como entre meninas.

"No Ceará, um dos estados mais violentos do Brasil por conta de facções criminosas, a gente viu até a violência cair por causa da construção de areninhas de futebol. Quando você faz campos de futebol em uma comunidade, além de trazer crianças, você valoriza o entorno. Em São Paulo já são mais de 400 campos de grama sintética", conta Alessandro Oliveira, que sugere expandir os campos de grama sintética para além do Oceano Atlântico.

"Em se tratando de Brasil e África, assim como EUA, o potencial neste mercado é muito grande. Cada campo oficial custa em média R$ 1,5 milhão, mas muitos desses campos são pagos pelo governo e o uso da população é sem custos. Acho que é muito legal de levar à África, porque dá pra levar não só a grama sintética como a ideia da escolinha de futebol", explicou o empresário.

Clarisse Machanguana já vem colocando isso na prática com sua ONG, Fundação CM

"Quis ajudar a desenvolver as comunidades. Acho que o mais importante é entender que todos queremos ver o progresso, ver os avanços da nossa população. Vemos pessoas que não sentem que são respeitadas, mas a gente precisa desenvolver a arte da negociação, mas que possam se sentir donas de si. E lidar com jovens é mais fácil, porque se inspiram em mim. E esporte nos permite comunicar com as pessoas de formas bem diferentes, porque envolve educação, entretenimento, é cura para comunidades com violência, com guerra", avalia Clarisse.

"Existem habilidades que se aprende no esporte e que vão te seguir pra vida: resiliência, força, persistência. Para nós, mulheres, as chances de uma carreira bem-sucedida não são as mesmas dos homens. Eu joguei basquete como atleta profissional por 22 anos, mas o que eu ganhei não foi nem 1% comparado aos jogadores homens. Ainda temos essa desigualdade entre jogadores masculinos e femininos", completou.

Clarisse ainda deu dados da triste realidade de meninas moçambicanas e como o esporte
pode mudar esse cenário

"Meu desafio em Moçambique é que 46% das meninas já são casadas e portadoras do vírus HIV. Então, o que minha organização traz é criar oportunidades, é que essas meninas tenham uma voz, defenderem seus direitos, e façam parte de uma sociedade. Preparamos um ecossistema para empoderar os jovens, fazermos com que eles avancem, mas as pessoas que vão viver nessa cidade são parte de um sistema inovador, porque elas são o futuro. E a gente trabalha lado a lado com essas pessoas que sofrem com o HIV, ficam grávidas aos 11, se casam aos 12...", ainda disse a ex-jogadora.

"O esporte tem uma conotação geopolítica. Quando eles levam esporte a uma área com problemas, isso permite atenuar essa violência. Temos que promover mais o que o esporte em geral é capaz de promover, de pacificar, de unir em diversas regiões", completa Khalilou.

O Fórum Brasil África é uma idealização do Instituto Brasil África, tem como tema “Cidades Sustentáveis: soluções globais, desafios locais” e acontece até hoje, 30 de novembro, em São Paulo.

Informações: https://forumbrazilafrica.com/pt/principal/

 

Informações à imprensa

Fernanda Spagnuolo:  (11) 97140-3144

Carlos Prado:  (11) 99337-8536


Legenda: Will Mbiakop, Presidente Executivo do ASCI
Créditos: Divulgação
Legenda: Fórum Brasil África debate o papel dos esportes para impulsionar o desenvolvimento sustentável das cidades
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Legenda: Will Mbiakop, Presidente Executivo do ASCI
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